April 22, 2007

...dois Gatos

sol bom;

vento amenamente calmo;

vida pouco agitada depois de uma manhã calma de sabores e simples "Olá"s;

pessoas deveras agitadas de um frenesim sem pressas e de uma calma apressada de chegar a um ponto em que o descanso fosse garantido depois de tamanha viagem;

de súbito uns degraus depois de uma compra bem feita;

algo que apagou uma sede imensa de...;

bem... algo que apagou a sede; alguma dela;

foi simples perceber que havia uma necessidade de explorar;
talvez uma necessidade inata, ou apenas uma necessidade, mas sem dúvida uma necessidade;

ver, ouvir, falar, entender, compreender e tão calmamente olhar um labirinto de ruas esguias e distorcidas,

e não é que existe mesmo o Largo do Poço?

de qualquer forma apenas seria uma confirmação de noites menos ébrias, de becos menos escuros e com um sol ameno; e foi tão boa a decisão de ir ver o sol.

escadas reluzentes de um descanso sem custo, sem paga possível e...

dois gatos, pequenos, porque as escadas estavam longe;
limpos, porque as escadas estavam mal posicionadas;
suaves, porque os gatos são mesmo assim.
e ninguém me garante que não eram um gato e uma gata, posso imaginar, ainda não pago por isso;

logo eu que não aprecio gatos;

mas fez-me lembrar..
dois gatos numa noite não muito distante, bem era apenas um mas pronto;

e os gatos tão simples; um abriu a janela o outro saiu, o outro fechou a janela o outro tentou apanhar uma mosca, o outro tentou se equilibrar no parapeito pequeno e coberto de sombras.

e eram apenas dois gatos numa atitude diária notada por alguém que se sentou mesmo em frente do poeta da liberdade;
mesmo ao lado de um fumador, mesmo à porta de uma Sé, mesmo num lado de um largo pouco movimentado e perturbado por carros indesejados num momento de tão pura calma;


e o sol ameno sempre ali;

vi a casa da varanda de um dia de uma noite e madrugada, agora abandonada num parapeito enorme e externo ao lado de algo a que chamam de laboratório;

percorridos muitos metros as coisas ficam pesadas mas a lembranças sempre vivas;

para quando uma desilusão coimbrã, para quando uma rua que não tenha inscrita uma frase verdadeiramente revoltada?

espero que para nunca.

2 comments:

faty said...
This comment has been removed by the author.
Anonymous said...

Pois...