April 7, 2007

pertença

Lugares pequenos e dispersos, onde milhares de pessoas se cruzam todos os dias, todas as noites, mas nos quais muito poucas se sentem bem, protegidas, seguras, felizes; protegido por ter a fachada de que tanto gosto mesmo na minha frente; bem por sentir um barulho captado num silêncio ensurdecedor de uma noite agitada; seguro por saber que aquele é o meu momento, o meu lugar, o cheiro que captei, os detalhes que a minha vista - desde si mesma já debilitada - compreendeu, os olhares de rostos únicos que me lembro a cada passagem, a MÚSICA que estava no dime mesmo sem haver uma jukebox por perto onde gastar 0,10eur por uma MÚSICA única; feliz por sentir o poder de um carinho enorme trazido numa bandeja por lembranças, por mudanças, por dinamismos alheios a qualquer ser que teria passado ali antes.

E porque apenas quem não vê sente os pormenores fecho os olhos e vejo, oiço, sinto, bebo, lembro, esqueço, escolho, recolho, aparto, abraço, sorrio, choro, penso, paro, ando, viajo num mar apenas meu, sem horizonte à vista, onde simplesmente me deixo levar - e não fosse assim a minha vida.

Uma simples vida, que vai continuar simples, complexa, agitadamente calma e surreal, à minha maneira.

Se um dia me pediram para falar,
terei tão pouco para dizer...
terei tão pouco para transmitir...
terei apenas uma frase: "Fecha os olhos e vê."

E no entanto, pertenço aqui!
A um mundo de percepções e desvairos,
de ilusões imperceptíveis mas deveras interessantes
e alucinantes
e simples
e complexas
e prazerosas
e dolorosas
e bonitas
e lindas
e calmas
e rápidas
e olhares
e troca de olhares
e toques
e encontrões
e portas na cara
e tudo...

há tanto!

1 comment:

faty said...
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