September 12, 2008

Painéis


Uniformes e expostos, de colorações imensas e sem quaisquer ordem, alinham.se em estradas, ruas, casas, pessoas e desfazem.se numa qualquer imaginação mais fértil de um qualquer ser humano ou animal que os possa imaginar.

Criam.se, usam.se e deitam.se fora, recuperam.se e reconstroiem.se em prol de alo que apelido de: evolução natural das coisas.

Circundam quem se quer e quem não se quer; confinam espaços e ideias em pequenos lugares recreativos onde as mentes - que por vezes se mentem - tem toda a liberdade para os configurar.

Aparecem onde menos se esperam e por vezes ferem os olhos pelos locais escolhidos para serem colocados e mancham as mentes com as suas mensagens pouco nítidas ou absurdamente aberrantes.

Tapam fachadas já de si decrépitas e sem vida, que outrora sabiam o que era o bonito, o saudável, o apresentável, o certo, o errado, e muitas outras coisas que o tempo desvaneceu nas tintas gastas, azulejos partidos, varandas descascadas, janelas entorpecidas e vãos de escada que já não transmitem confiança nenhuma.

Painéis de rara beleza que encobrem ruínas outrora mais belas que fachadas.


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